Descrevendo o “recentemente” atraves de um cachecol…

Sabe…

Faz tempo que planejo em escrever este post. No fundo, faz tempo que queria escrever “um” post no blog.

Fico divagando durante minhas horas de ócio sobre algumas coisas interessantes. Das transformações, mudanças, transições, sentimentos…enfim, de tudo o que essa cidade grande me causou.

Hoje veio a inspiração que precisava. Talvez  seja até capaz de resumir o que queria escrever no blog há um ano…

Há um tempo atrás, conheci uma Senhora que tece e vende cachecóis e tapetes na Praça Benedito Calixto.  Lembro que conversei com ela naquele dia e ela falou uma coisa que me marcou muito. Estávamos falando sobre pagamento em cheque, dinheiro e cartão até que ela comentou sobre um cheque de valor alto que ela estava segurando.

“Eu quero acreditar nas pessoas!”.

Quando ela entoou essa frase, muita coisa veio na minha cabeça. Mas senti que além de ser uma pessoa extraordinária, essa mulher ainda tinha muito o que me ensinar.

Hoje, encontrei ela novamente em uma outra feirinha. E quis comprar um outro cachecol. Ficamos conversando sobre tipos de tecido, tecelagem, tipos de fios, processos e muitas outras coisas. Até que encontrei um cachecol lindo. E como todo pensamento de mulher às compras, aquele cachecol tinha que ser meu. Depois ela foi me falando de cada detalhe do cachecol:

– A base dele era feito de fio orgânico produzido por uma comunidade do Ceará.

– Um fio que faz parte do detalhe é feito com fibras de reciclagem de garrafas pet.

– Um outro detalhe é de fios que vem da Turquia.

Para cada detalhe, a nossa conversa foi se aprofundando. Conversamos sobre imposto de importação, processo industrial, Tristeza, Trabalho, Felicidade, Calor humano e Capitalismo. Nada de papo ideológico. Somente fatos empíricos. E para cada fio, uma lição nova a ser aprendida, uma pequena palavra de ternura vindo do coração dela.

Voltei para casa com a sensação de alma leve. De que realmente tinha que conversar com ela. E fiquei contemplando o cachecol e cada detalhe dele.

E ainda descobri que tem muita coisa que ela não havia me contado…

Daí comecei a pensar e refletir a minha vida em um cachecol…

Cada ponto que você tece é um dia de sua vida. Cada carreira é um mês. Várias carreiras, um pedaço de sua vida. Aquela lã que serve de base para o cachecol é sua rotina. Os detalhes, as coisas que dão o toque em sua vida…

Desde que cheguei em São Paulo, meu cachecol ficou multicolorido. Grandes faixas feitas de linha branca que aos poucos tomaram forma de amarelo para laranja, tornando minha vida mais brilhante. Em relação aos detalhes, tá cheio de fios. Reciclados, coloridos, brutos e rústicos. Alguns pontos que teci, voltei pra trás e tirei. Outros não faço questão de tirar nunca. Dá pra imaginar como está né? E eu vou continuar tecendo..e tecendo…até formar um cachecol multicolorido e autêntico. Igual áqueles da Senhora da pracinha.

E você, como é o cachecol que você está tecendo? Já sabe qual forma e cores ele vai ter?

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Uma resposta para “Descrevendo o “recentemente” atraves de um cachecol…

  1. Hey Janete!
    Post bacana! Que bonito!
    Outros assim virão?

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