Centenário? Que coisa é essa?

É, centenário de quê?

Muito se comenta hoje de centenário e Japão. Grande coisa. Se você não for do meio nem vai saber que é sobre imigrantes. Mas o quê dos imigrantes?!? Que importância tem essa raça dos zoios puxados? Se imigração por imigração já existem a alemã e a italiana com um período semelhante?

Para quem não sabe, japonês adora números. Não é a toa que eles são gangue em faculdades renomadas de engenharia e sabem mexer com ábaco. Quer um exemplo disso?

Você sabe qual é a frequência de missas de falecidos que se faz? No Japão é o seguinte: 7 dias, 49 dias e um ano.

“Haha, Isso é igual no Brasil”. Aí é que você se engana. No Japão ainda temos, 3 anos, 7 anos, 13 anos, 17 anos, 23 anos e assim vai. Outro dia fui na missa de 50 anos da minha bisavõ. E aí?

Quer mais? Vocês sabem quais são as idades críticas dos Japoneses? Para os homens são 25, 42 e 61. E para as mulheres são 19, 33 e 37. Sendo os piores 42 para homens e 33 para as mulheres?

E o pior é criar palavras com números. Se 42 acima siginfica “Shini” (ou seja, 死に, que siginfica morte), o 33 significa “Sanzan” (ou seja, 散々, que signfica despedaçado ou então muito acabada).  

Por tanto amor a números, eles não poderiam deixar de passar o tal do “100”, né?

Talvez seja por mero ritual que estamos comemorando os 100 anos de imigração. Tanto barulho…Mas ninguém entende direito por quê…

Mas entendam. Isso é da própria cultura oriental. Fazer as coisas por ritual, por respeito, por manter a tradição…

Para mim a imigração tem muito significado. É legal saber que eu tenho sangue 100% genuíno trazido pelos meus avôs lá do outro lado do mundo, depois de uma longa navegada de 40 dias por mar afora. 

Depois disso, tenho o orgulho de poder falar japonês. Sei escrever com fudê (esse nome é feio) e sumi e praticar Shodô.  Temos um Butsudan em casa. Fazemos parte de Nihonjinkai. Consegui uma bolsa de estudos por conta da minha descendência. Sei fazer comida japonesa que vai muito além de um simples sushi e sashimi e ainda por cima sei comer de hashi! (Olhem a propaganda para casarem comigo, embora eu não esteja a venda).

Além disso, já passei vergonha por não saber de que raça eu sou. Porque no Brasil sou japonesa e no Japão sou Gaijin. Mas hoje tenho o orgulho de falar que sou duas em uma: Sou uma Brasileira bem tupiniquinha mas com um sabor bem japa. Pois eu sei que tenho muito do Japão antigo que meus avôs trouxeram que  nada  tem a ver com o Japão-super-cultural-pop-moderno de hoje. E eu sei que tenho atitudes abomináveis para qualquer cidadão de olho puxado da terra do sol nascente que é totalmente normal em terra verde e amarela.

Enfim, tudo o que me faz o que sou hoje, ou pelo menos 98% disso, tem raízes na imigração japonesa. Há 100 anos atrás, todo meu caráter já estava em formação. Minha história e de 1,4 milhões de descendentes de japoneses estavam em formação. E em agradecimento a tudo isso que eu e milhões de Nikkeis são hoje, comemoramos os 100 anos de imigração. Talvez para o alemão ou para o Italiano, isso não seja tão importante como para os Japoneses. É mera junção de números. Mas cedo ou tarde, os japas não iriam deixar isso passar…

E como eu nessa dança? A minha parte japa se manifestou. Se eu vou na missa da minha bisavó de 50 anos, porque não iria comemorar o centenário?

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Uma resposta para “Centenário? Que coisa é essa?

  1. êêêê, agora só falta vc ir lá ver o príncipe no anhembi…

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